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Dra. Rafaela Ferreira – Clínica Médica e Endocrinologia e Metabologia

A tireoide é uma pequena glândula em formato de borboleta localizada no pescoço, mas seu impacto na saúde é enorme. Ela produz hormônios que regulam o metabolismo, o coração, o humor, a digestão e até o crescimento. Quando não funciona corretamente, pode causar diversos problemas.

Minha Abordagem como Endocrinologista Especializada em Saúde da Tireoide

Sou Médica Endocrinologista com foco em distúrbios tireoidianos, desde hipotireoidismo e hipertireoidismo até nódulos e câncer de tireoide. Minha missão é oferecer diagnósticos precisos e tratamentos personalizados para restaurar seu equilíbrio hormonal.

Com atualização científica constante e uma visão humanizada, entendo que cada caso é único: seu tratamento considera seus sintomas, estilo de vida e metas de saúde. Não acredito em “receitas prontas” – desde ajustes milimétricos de levotiroxina até o manejo de doenças complexas como tireoidite de Hashimoto, seu plano será desenhado para você.

Minha paixão vai além de normalizar exames – é sobre devolver sua qualidade de vida. Aliviar o cansaço inexplicável, a oscilação de peso e a instabilidade emocional causados por desequilíbrios na tireoide é o que move meu trabalho diário.

Como a Tireoide Funciona?

A tireoide produz dois hormônios essenciais:

  • T3 (Triiodotironina)

  • T4 (Tiroxina)

Ela é controlada pela hipófise, uma glândula no cérebro que libera o TSH (Hormônio Estimulador da Tireoide). Se os níveis de T3 e T4 estão baixos, a hipófise aumenta o TSH para estimular a tireoide. Se estão altos, o TSH diminui.

Quando esse equilíbrio falha, surgem as doenças da tireoide.

A jornada com doenças da tireoide exige parceria entre paciente e médico. Enquanto hipotireoidismo e hipertireoidismo são condições controláveis com tratamentos modernos, os nódulos demandam vigilância criteriosa.

Sintomas não são diagnósticos: exames precisos e interpretação especializada são fundamentais.

Hipotireoidismo

O Que Acontece?

A tireoide não produz hormônios suficientes, deixando o metabolismo mais lento. Isso pode acontecer por pouco estímulo proveniente da hipófise (hipotireoidismo central) ou então devido a alterações na própria tireoide (hipotireoidismo primário).

Sintomas:

  • Cansaço extremo (mesmo após dormir bem)

  • Ganho de peso (geralmente moderado, entre 2-5 kg, devido a retenção de líquidos e metabolismo lento)

  • Pele seca, unhas quebradiças e queda de cabelo

  • Intestino preso

  • Sensação de frio constante

  • Depressão, falta de memória e concentração

Muitos sintomas do hipotireoidismo são inespecíficos e, por isso a importância de um especialista para avaliar cada caso.

O hipotireoidismo não tratado ainda pode levar a alterações em exames laboratoriais como alteração de perfil lipídico.

Principais causas de hipotireoidismo primário:

  • Doença de Hashimoto: doença auto-imune que células de defesa no organismo destruem as células da tireoide produtoras de hormônios tireoideanos

  • Deficiência de iodo (mais raro em países com sal iodado – antigamente muito conhecido como bócio endêmico)

  • Tratamento com iodo radioativo: o iodo radioativo (usava muitas vezes para tratamentos de outras doenças da tireoide, destrói as células tireoidenas

  • Cirurgia de retirada tireoide (tireoidectomia)

  • Alguns medicamentos: ex. lítio e amiodarona

Tratamento:

O tratamento do hipotireoidismo é realizado com reposição hormonal de levotiroxina (T4). A reposição de T3 não é recomendado por nenhum consenso ou guideline da especialidade.

Atenção ao Mito: “Todo Ganho de Peso é Causado por Hipotireoidismo”

Muitas pessoas acreditam que qualquer aumento de peso está ligado à tireoide, mas isso não é verdade. Isso pois:

  • O ganho de peso no hipotireoidismo costuma ser leve (2-5 kg), principalmente por retenção de líquidos.

  • Obesidade raramente é causada só pela tireoide – Se o TSH estiver normal, outros fatores (dieta, sedentarismo, genética) são mais relevantes.

  • Sintomas de hipotireoidismo são muitas vezes inespecíficos, com necessidade de se avaliar também hávitos de vida como um todo.

Hipertireoidismo

O que acontece?

Ao contrário do hipotireoidismo, há uma produção em excesso de hormônios tireoidenos. Isso resulta em aceleração do metabolismo. tireoide produz hormônios em excesso, acelerando o metabolismo.

Principais causas:

  • Doença de Graves (mais comum): doença autoimune que leva a estímulos nas células da tireoide produtoras de hormônios

  • Nódulos tireoidianos hiperfuncionantes (adenomas tóxicos): podem ser únicos ou vários

  • Inflamação da tireoide (tireoidite): ocorre uma liberação dos hormônios já produzidos e que estavam armazenados na glândula.

Sintomas:

  • Aumento difuso da tireoide (bócio), principalmente na Doença de Graves

  • Perda de peso rápida (mesmo comendo normalmente)

  • Ansiedade, irritabilidade e insônia

  • Coração acelerado (taquicardia) e palpitações

  • Tremores nas mãos

  • Sudorese excessiva e intolerância ao calor

  • Diarreia ou evacuações frequentes

  • Exoftalmia (principalmente em casos de Doença de Graves): olhos protusos simulando um “olhar assustado”

Complicações graves de um hipertireoidismo não tratado:

  • Crise tireotóxica: Emergência médica com febre alta, delírio e taquicardia extrema

  • Osteoporose precoce: Perda acelerada de massa óssea

  • Fibrilação atrial: Arritmia cardíaca com risco de AVC

Tratamento:

O objetivo do tratamento do hipertireoidismo é controlar a produção exagerada de hormônios, mesmo que isso leve o paciente a transicionar para um quadro de hipotireoidismo. Além disso, muitas vezes é necessários medicações para controle da frequência cardíaca e alívio de sintomas como palpitações

  • Medicamentos antitireoidianos: inibem a produção de hormônios tireodeanos. Usados preferencialmente em casos de Doença de Graves
  • Iodo radioativo: leva a destruição das células da tireoide. Escolha em casos de nódulos produtores de hormônios ou em casos refratários ao uso de drogas antitireoidianas.
  • Cirurgia para casos selecionados.

Nódulos tireoideanos

Os nódulos da tireoide são caroços ou inchaços que se formam dentro da glândula tireoide. Eles são muito comuns – cerca de 60% das pessoas podem ter um nódulo ao longo da vida, mas a boa notícia é que a maioria é benigna (não é câncer).

Os nódulos podem ser massas sólidas ou cheias de líquido (cistos). Podem ainda ser, de acordo com suas características:

  • Únicos ou múltiplos (vários nódulos)

  • Benignos (90-95% dos casos) – como cistos ou adenomas

  • Malignos (5-10%) – câncer de tireoide (geralmente com bom prognóstico)

Além disso, existem situações em que a pessoa possui fator de risco para aparecimento de nódulos, como:

  • Deficiência de iodo (mais raro em países com sal iodado)

  • Histórico familiar de nódulos ou câncer de tireoide

  • Exposição a radiação (principalmente na infância)

  • Sexo feminino e idade acima de 40 anos (mulheres têm mais chances)

  • Tireoidite de Hashimoto

Hoje, com o maior acesso ao US de tireoide, muitos pacientes descobrem nódulos em exames de rotina. No entanto, a maioria desses nódulos são considerados achados, sem necessidade de conduta adicional. Por isso, o exame de imagem da tireoide deve ser utilizado apenas como investigação complementar, em caso de palpação de tireoide alterada realizada por um profissional adequado.

Nódulos na tireoide causam sintomas?

A maioria dos nódulos não causam sintomas pois não são grandes o suficiente. Muitos vezes, eles são descobertos em exames de rotina ou então através da palpação do médico treinado para esse tipo de avaliação.

No entanto, se forem grandes, podem causar:

  • Inchaço visível na região do pescoço (abaixo do pomo de Adão)

  • Dificuldade para engolir ou sensação de “aperto” na garganta

  • Rouquidão sem motivo aparente (se o nódulo comprime os nervos da voz)

  • Dor no pescoço (mais raro, pode acontecer se houver sangramento dentro do nódulo)

Diagnóstico, Acompanhamento e Tratamento

O melhor exame para avaliação de nódulos tireoideanos é o US de tireoide. A partir dele é possível avaliar características como tamanho e consistência que podem ser ou não sugestivas de malignidade.

Na análise das características de cada nódulo no US são utilizadas algumas classificações para auxiliar no acompanhamento e tomada de condutas. A principal classificação utilizada hoje é a Classificação de TIRADS.

O tipo de conduta e forma de acompanhamento de cada nódulo de tiróide irá depender de suas características e sua classificação.

Em casos de características suspeitas e a depender do tamanho do nódulo, é realizado então a PAAF (punção aspirativa por agulha fina). Na PAAF, conseguimos avaliar melhor o tipo de célula presente naquele nódulo. Felizmente, muitos nódulos, apesar de características suspeitas ao US, se apresentam sem malignidade na PAAF.

As características das células avaliadas na PAAF também seguem uma classificação, chamada Bethesda. Nessa classificação podemos melhor ainda mais a tomada de conduta com relação ao acompanhamento dos nódulos tireoidanos. Sempre realize esse acompanhamento com médico especilista.

Além disso, é necessário sempre avaliar a função tireoideana e assim, também avaliar algum tratamento adicional.

Tratamento vai depender do tipo de nódulo:

  • Nódulos benignos: Apenas acompanhamento

  • Nódulos malignos: Cirurgia (e às vezes iodo radioativo)

Quando Procurar Um Endocrinologista?

Se você apresenta:

  • Sintomas de hipotireoidismo ou hipertireoidismo

  • Nódulo ou inchaço no pescoço

  • Histórico familiar de doenças da tireoide

procure um especialista para melhor avaliação, acompanhamento e tratamento!

Cuidar da tireoide é investir em qualidade de vida em todas as fases!

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